Procura por habitação desloca-se para as periferias
O mercado de habitação em Portugal atravessou em 2025 um período marcado por forte valorização dos preços das casas. Nas principais áreas urbanas, o custo da habitação atingiu níveis historicamente elevados, tornando a compra de casa própria mais exigente para muitas famílias. Apesar disso, a procura por habitação não diminuiu. Pelo contrário, continua concentrada nas zonas próximas dos principais centros económicos do país.

Nas áreas metropolitanas, sobretudo nas proximidades de Lisboa e do Porto, muitos compradores procuram habitação em concelhos periféricos. Esta tendência explica-se, em grande parte, pela diferença de preços face aos centros urbanos. Embora o custo da habitação também tenha aumentado nos subúrbios, estes locais continuam a oferecer opções relativamente mais acessíveis.

Outro fator relevante é a qualidade de vida. Muitos municípios periféricos combinam acesso a transportes, escolas, serviços e espaços de lazer com preços de habitação mais moderados. Para várias famílias, esta combinação torna-se decisiva no momento de escolher onde viver.
Municípios periféricos concentram procura por habitação
Os dados mais recentes confirmam que os concelhos situados em redor da capital dominam a lista dos locais mais procurados para comprar habitação. Diversos municípios da Área Metropolitana de Lisboa ocupam as primeiras posições, demonstrando que o interesse por viver próximo da capital continua elevado.

Nestes territórios, o preço da habitação varia bastante. Existem concelhos onde os valores medianos permanecem abaixo dos 300 mil euros, enquanto outros ultrapassam claramente os 500 mil euros. Ainda assim, a procura por habitação mantém-se dinâmica, refletindo a necessidade de viver perto das zonas com maior oferta de emprego e serviços.

No Norte do país verifica-se uma tendência semelhante. Municípios localizados na periferia da Área Metropolitana do Porto têm ganho destaque na procura por habitação, superando em muitos casos o próprio centro urbano. Este movimento indica que os compradores privilegiam locais onde o preço da habitação é ligeiramente mais baixo, sem abdicar da proximidade à cidade.
Diferenças regionais no mercado de habitação
Nem todas as regiões apresentam o mesmo comportamento no mercado de habitação. Em zonas com forte componente turística, como algumas áreas do sul do país, os preços elevados têm limitado a procura por parte de compradores nacionais. Nestes locais, o valor da habitação tende a ser influenciado por investimento internacional e pela procura associada ao turismo.

Consequentemente, algumas destas regiões aparecem mais abaixo nas listas de procura por habitação. Para muitas famílias portuguesas, os preços praticados tornam difícil a aquisição de casa própria, o que leva os compradores a procurar alternativas noutras zonas do país.

Ainda assim, o mercado de habitação continua a mostrar grande dinamismo. Mesmo com valores elevados, a vontade de adquirir casa própria mantém-se forte entre os agregados familiares.
Fatores que explicam a procura por habitação fora dos centros
A preferência pelas periferias resulta de vários fatores estruturais. O primeiro é a diferença de preços entre o centro das cidades e as zonas suburbanas. Embora a distância esteja a diminuir, comprar habitação nos centros urbanos continua a implicar um investimento muito superior.

Outro fator importante é a oferta limitada de habitação nas áreas centrais. A escassez de novos projetos imobiliários e a elevada procura criam pressão adicional sobre os preços, empurrando os compradores para territórios periféricos.

Além disso, melhorias nas infraestruturas e nos transportes têm contribuído para tornar estas zonas mais atrativas. Muitas famílias encontram nestes concelhos uma solução equilibrada entre custo, acessibilidade e qualidade de vida.
Perspetivas para o mercado de habitação
O comportamento do mercado de habitação em 2025 demonstra que o aumento dos preços não eliminou o interesse pela compra de casa. Em vez disso, levou a um reajuste geográfico da procura. Cada vez mais famílias analisam cuidadosamente o custo da habitação e optam por municípios onde o esforço financeiro é mais controlado.

Ao mesmo tempo, políticas públicas e condições de financiamento podem influenciar a evolução do mercado de habitação nos próximos anos. Medidas de apoio à compra e programas destinados a facilitar o acesso à habitação poderão continuar a desempenhar um papel relevante.

No atual contexto, tudo indica que a procura por habitação nas periferias das grandes cidades deverá manter-se elevada. Estas zonas oferecem uma combinação de preços relativamente mais acessíveis e proximidade aos principais centros económicos, fatores que continuam a orientar as decisões de quem pretende comprar casa em Portugal.

FONTE: SUPERCASA