Garantia pública ganha peso no crédito habitação

Os casais e jovens com rendimentos mais baixos estão a recorrer cada vez mais à garantia pública para comprar casa. Segundo o Banco de Portugal, este mecanismo tem sido particularmente utilizado por quem procura habitação própria permanente e enfrenta maiores dificuldades de acesso ao crédito.
Os dados mostram que cerca de 62% dos contratos com garantia pública foram feitos por dois mutuários. Já entre os elegíveis que não recorreram a este apoio, a maioria dos créditos foi contratada individualmente. Esta tendência confirma que a garantia pública está a ser usada sobretudo por casais com menor capacidade financeira.

Rendimentos mais baixos entre quem recorre ao apoio

O rendimento médio dos mutuários com garantia pública é inferior ao dos restantes compradores. Nos contratos a dois, o rendimento médio situa-se nos 1.412 euros, enquanto nos restantes casos sobe para 1.687 euros. A diferença mantém-se também entre quem compra casa sozinho.
Em média, os compradores com garantia pública registaram rendimentos de 2.071 euros, abaixo dos 2.200 euros dos que não recorreram a este mecanismo. A idade média mantém-se semelhante, situando-se nos 30 anos para compradores individuais e 31 anos para casais.

Taxa de esforço é mais elevada

Os dados do Banco de Portugal indicam ainda que quem utiliza a garantia pública apresenta uma taxa de esforço superior. Este indicador mede o peso das prestações no rendimento mensal e revela maior pressão financeira.
Para quem comprou casa sozinho com este apoio, a taxa de esforço atingiu 42,8%, enquanto nos contratos conjuntos foi de 39,0%. Estes valores são superiores aos registados entre os mutuários que não recorreram à garantia pública, evidenciando maior vulnerabilidade financeira.

Jovens impulsionam crescimento do mecanismo

A garantia pública contribuiu para aumentar o peso dos jovens até aos 35 anos no crédito habitação, que passou de cerca de 40% para 54%. Em 2025, este mecanismo representou 15% dos novos contratos e quase 20% do montante total concedido.
O valor médio dos empréstimos com garantia pública foi de 207 mil euros, acima dos 174 mil euros dos contratos sem este apoio. O montante global da medida foi reforçado até 1.550 milhões de euros, dos quais já foi utilizada mais de metade, confirmando a forte procura por este instrumento.

FONTE: SUPERCASA