Primeira subida nos juros dos novos créditos à habitação

O mercado do crédito à habitação começou a dar sinais de mudança em novembro. A taxa de juro média aplicada aos novos contratos subiu para 2,853%, interrompendo um ciclo de descidas que durava desde a primavera. Embora a variação seja reduzida, representa a primeira subida em sete meses e pode indicar que a fase de alívio contínuo nos juros do crédito à habitação está a chegar ao fim.

Esta evolução afeta sobretudo quem assinou contratos recentemente. Para estes consumidores, o custo do crédito à habitação continua abaixo dos níveis de 2023, mas já não beneficia da mesma tendência de descida automática que marcou grande parte de 2024 e 2025.

Contratos antigos continuam a beneficiar de alívio

Apesar da subida nos novos contratos, a generalidade das famílias com crédito à habitação em vigor continua a sentir algum alívio. A taxa de juro implícita média do total dos contratos desceu para 3,133%, refletindo uma redução expressiva face ao máximo registado no início de 2024.

Este movimento confirma que a maioria dos contratos, sobretudo os indexados à Euribor, já incorporou a descida do custo do dinheiro. Assim, para quem contratou crédito à habitação há mais tempo, as prestações mantêm-se mais estáveis e afastadas dos picos recentes.

Prestação média estabiliza, com menos peso dos juros

No que diz respeito às prestações, os dados mostram estabilidade. A prestação média mensal do crédito à habitação fixou-se em 394 euros, valor inferior ao registado no mesmo mês do ano anterior. Um dado relevante é que a componente de juros representa agora menos de metade da prestação total.

Isto significa que, em média, as famílias estão a usar uma maior fatia da prestação do crédito à habitação para amortizar capital, reduzindo gradualmente a dívida. Este cenário traduz uma menor pressão financeira face ao período de juros mais elevados.

Novos créditos enfrentam prestações mais elevadas

Nos contratos de crédito à habitação celebrados recentemente, o esforço mensal é mais significativo. A prestação média dos novos créditos subiu para 668 euros, refletindo não só a evolução dos juros, mas também o aumento dos montantes financiados e dos preços da habitação.

O capital médio em dívida nos novos contratos é substancialmente superior ao da totalidade dos contratos, o que explica a diferença nas prestações. Assim, mesmo com taxas de juro mais baixas do que no pico, quem entra agora no mercado do crédito à habitação enfrenta encargos mensais mais elevados e um contexto de maior exigência financeira.

FONTE: SUPERCASA